sexta-feira, 25 de setembro de 2015

NÃO PRECISO, OBRIGADA.

Cheguei à conclusão que não adianta "bufar" em casa. Sim, não adianta. Aqueles suspiros que damos que no fim fazem trepidar as "beiçolas" (tipo relinchar) enquanto lavamos a loiça, numa de manifesto aos maridos "TAMOS CANSADAS", não adianta. Esqueçam. Senão vejamos:
Relinchamos. "Eles" ouvem. E o inferno começa aqui:

ELE - Qués ajuda?

EU - Quero.
(Funcionou!!!)

ELE - O que é que eu posso fazer?
(Começa logo mal - não queremos que nos perguntem o que precisamos!! Queremos que arregacem as mangas e tomem a iniciativa. Qualquer coisa serve!)

EU - Olha, podes cortar o tomate para a salada, por exemplo.

ELE - Onde é que está o tomate?
(Isto mata)

EU - No frigorífico, na prateleira dos legumes.
(Por um triz não o mandei procurar no armário dos pirex, só para chatear)

ELE - É isto?
(Morte nº 2. Não percebo a dúvida)

EU - É.

ELE - Onde é que está a faca?
(Morte nº 3)

EU - Na gaveta das facas.

ELE - Se calhar vou cortar com esta, porque tem serrilha.
(Morte nº 4 - mudou o registo de "interrogativo" para "afirmativo", mas ainda assim dá conhecimento do procedimento)

ELE - Como é que queres que eu corte?

(silêncio)

ELE - Hãaã? Como é que queres que eu corte?

(silêncio)

(fecho os olhos, respiro fundo)

EU - É indiferente.
(Não me peçam respostas mais compridas do que isto, que eu estou quase a rebentar)

É neste momento que pela primeira vez tomo consciência que a minha cozinha é musical. Tudo faz barulho. A gaveta a fechar, o manuseamento da tábua, os vários golpes. A ideia é mostrar serviço e "eles" precisam de se fazer ouvir.

ELE - Será que chega?

Olho para o resultado. Se disser que vejo, com boa vontade, seis rodelas cortadas, não estarei a exagerar.

EU - Quantos cortaste???

ELE - Um....Corto mais??
(Morte nº 5 - o confronto com a forretice)

EU - Sim.

ELE - Mais um?
(Morte nº 6 - o confronto com a confirmação da forretice)

EU - Não. Mais três.

ELE - O pior é se sobra...porque isto depois de temperado...
(Morte nº 7 - ter de fingir que lhe reconheço o uso desta frase, como sendo dele)

EU - Corta mais três.

ELE - Está bom assim?

Nem olho.

EU - Está óptimo.
(Isto foi um pesadelo que acabou e eu estou quase a acordar)

ELE - Não se tempera?
(Morte nº 8 - the killer is back - o emprego do "se" que se destina a mim, mas sem atribuição de sujeito)

EU - Eu já tempero.

ELE - O que é que faço a "isto"?
(Morte nº 9 - "isto" é a tábua e afins - chamar as coisas pelos nomes parece que a "eles" os diminui)

EU - Põe no lava-loiças.

ELE - Mas cabe? É que "isso" está cheio de coisas.
(Morte nº 10 - não estou a conseguir "dar vasão" e sou repreendida por cima)

EU - Deixa estar. Vai-te sentando e leva a lasanha para a mesa
(Não fosse a aliança, já o tinha mandado pelo ralo do lava-loiças junto com as grainhas...ele cabia!)

ELE - É lasanha? Ah que azar. Foi o que comi ao almoço.







Sem comentários:

Enviar um comentário